segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 @ postado por Marina Maciel

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá entrei em clima nostálgico pós-faculdade. Estou formada desde dezembro do ano passado, depois da apresentação do TCC - webdocumentário A Força da Palavra, resultado da parceria com os queridos Felipe Gonzalez e Mirtes Anjos -, e desde o começo do meu último ano tinha a certeza de que sentiria saudades da vida universitária. Tanto, que até escrevi aqui no blog, em janeiro, como imaginava minha vida de recém-formada (leia Acabou a meia entrada: é hora de perseguir o sonho).

Na semana passada, assisti à colação de grau de uma turma de Jornalismo que já chamei de minha (nos quatro anos de faculdade, graças à Iniciação Científica e ao trabalho, troquei de horário – e de turma – três vezes) e me emocionei com as homenagens: aos professores, aos colegas, aos amigos e aos familiares. Em especial, devo a minha escolha aos meus pais. Vou cursar Medicina, Engenharia Naval, Arquitetura, Arqueologia ou Jornalismo?! Acredite, estas dúvidas eram reais. Entre tantas aptidões e incertezas do Ensino Médio, escolher aos 17 anos o que você vai querer exercer até se aposentar é uma tarefa homérica para não dizer precipitada.

Graças ao apoio dos meus pais, sabia que poderia voltar atrás em qualquer momento, como fizeram vários colegas meus durante os quatro anos de faculdade: despedi-me dos que foram para outras áreas ganhar mais dinheiro, ter mais estabilidade ou dos que saíram para agarrar outros sonhos. A maior crise foi quando o diploma caiu. Os alunos estavam em polvorosa: e aí, ainda vale a pena fazer uma faculdade de jornalismo? Fomos igualados a chefes de cozinha e culpados por uma lei do tempo da ditadura militar. Juntei-me a uns poucos gatos pingados de manifestantes e fomos à Av. Paulista protestar contra a queda do diploma. Os professores aplaudiram, mas nenhum foi. Os jornalistas formados disseram que estavam trabalhando, então não apareceram – nem para noticiar. Lá, só se via estudantes. Sem líder, sem auto-falante. Só com panelas, narizes de palhaço e muita gritaria. Foi aí, nesse meu segundo semestre conturbado de faculdade, que percebi o quanto nossa classe era desunida.

jornalista

Mas o jornalismo tem um charme que cativa você, instiga. E eu devo meu diploma a meus pais por terem me dito repetidas vezes, antes mesmo de ingressar no Ensino Médio, que não é chique, nem glamouroso ser jornalista. Quando disse que a profissão tem um charme, não me entenda mal. O “glamour do jornalismo” levou boa parte dos meus colegas a desistir da faculdade: perdi as contas de quantas moças entraram com a esperança de ser a nova Fátima Bernardes, e os garotos de serem todos comentaristas esportivos, de serem reconhecidos na rua e de ganharem favores. Internet, jornal diário, rádio? Esqueça! Às vezes, tinha a impressão de que eles não imaginaram que teriam que escrever, de fato, para apresentar algum telejornal. O objetivo era ser famoso.

Saber que não era nada disso de antemão me ajudou um bocado quando entrei na faculdade: já sabia onde queria chegar, sem ilusões e com o pé no chão. Sonhos, muitos. Mas nada fantasioso demais. Apesar de você trabalhar muito, fazer plantão aos fins de semana, não ganhar tanto quanto gostaria, estar exposto à crítica constante e, muitas vezes, não ter o seu trabalho reconhecido, o charme do jornalismo é ter uma história nova para contar, uma pessoa diferente para entrevistar e um desafio novo para vencer a cada dia.

E eu tinha que amar tudo isso.

Este post faz parte do Meme de Fevereiro, uma iniciativa das interneteiras do LuluzinhaCamp, que tem como única intenção, a diversão. Porque somos blogueiras e adoramos blogar, simples assim. Se você tem blog, corre para participar, clique aqui e saiba mais.

Fotos: Giorgio___is_OFF/Creative Commons e Roberto Carlos Pecino/Creative Commons


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